Faltam 21,60 metros para que a ponte entre Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai, deixe de ser obra e vire travessia. O encontro das duas pontas, previsto para 31 de maio, é tratado pelos engenheiros como o “beijo das aduelas”, nome dado ao momento em que os dois lados da estrutura finalmente se encostam sobre o Rio Paraguai.
A cena resume o tamanho do projeto. Com 1.294 metros de extensão, 21 metros de largura e torres de 125 metros de altura, a Ponte Internacional da Rota Bioceânica será a terceira ligação rodoviária entre Brasil e Paraguai. No trecho central, o vão livre foi desenhado para preservar a navegação no rio, um detalhe técnico que ajuda a explicar por que a obra se tornou uma das mais simbólicas da integração regional recente.
A ponte começou a ser construída em janeiro de 2022 e entrou em 2026 na fase mais visível e mais aguardada. Segundo o governo de Mato Grosso do Sul, a estrutura principal já está em etapa final, enquanto serviços como corrimãos, sinalização e outros acabamentos avançam em paralelo.
Mais do que ligar duas margens, a obra é a peça mais emblemática da chamada Rota Bioceânica, corredor logístico que pretende conectar o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte do Chile por meio de Paraguai e Argentina. Na prática, o projeto foi pensado para encurtar o caminho das exportações e abrir uma alternativa ao trajeto tradicional que sai pelos portos do Atlântico.
Em Porto Murtinho, a expectativa em torno da ponte já não é mais de promessa distante. O município, que durante anos ficou à margem dos grandes eixos de transporte, passou a ser visto como porta de entrada de uma nova rota comercial. Mas a travessia física da ponte não resolve tudo sozinha. Do lado brasileiro, ainda avançam as obras de acesso pela BR-267, executadas pelo DNIT, com investimento de cerca de R$ 472 milhões e previsão de conclusão até o fim de 2026.
A obra da ponte é financiada pela margem paraguaia de Itaipu Binacional e nasceu do acordo firmado entre Brasil e Paraguai em 2018. Por isso, o “beijo” previsto para o fim de maio tem peso que vai além da engenharia: ele marca o instante em que um projeto discutido há anos finalmente ganha forma concreta no mapa da América do Sul.

As obras estão a 21 metros do “Beijo das aduelas” momento em que as duas pontas da ponte vão se encontrar
PONTE EM NÚMEROS
Extensão: 1.294 metros
Largura: 21 metros
Altura das torres: 125 metros
Início da obra: janeiro de 2022
Previsão de encontro das pontas: 31 de maio de 2026
Investimento nos acessos (BR-267): R$ 472 milhões
gov.py
