Canetas emagrecedoras já estão em 5% dos lares e pressionam consumo no Brasil

As canetas emagrecedoras já fazem parte de 5% dos lares brasileiros e passaram a disputar espaço no orçamento doméstico com itens básicos de consumo. O dado faz parte de um levantamento da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (Abad) em parceria com a NielsenIQ, que aponta uma mudança no padrão de gastos das famílias e os reflexos disso sobre as vendas de produtos do dia a dia.

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Segundo o estudo, despesas com medicamentos para perda de peso, apostas esportivas, plataformas de streaming, transporte por aplicativos, academias e compras em sites internacionais vêm absorvendo parte da renda do consumidor. Na avaliação do diretor de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ, Domenico Tremaroli Filho, esse movimento ajuda a explicar a desaceleração do consumo, mesmo em um cenário de melhora de renda ao longo de 2025 e desemprego em mínima histórica.

No caso das canetas emagrecedoras, o mercado movimentou R$ 20 bilhões. A pesquisa mostra ainda que 26% dos brasileiros pretendem usar esse tipo de medicamento quando tiverem melhor condição de renda. “Hoje no Brasil, oito de dez itens mais vendidos nas farmácias brasileiras são canetas emagrecedoras”, afirmou Tremaroli Filho.

As bets aparecem como outro fator relevante nessa disputa pelo bolso do consumidor. Em 2025, elas movimentaram R$ 360 bilhões, com 26% dos lares declarando participação regular, o dobro do registrado em 2024. De acordo com Tremaroli Filho, um em cada dez apostadores reduziu gastos com alimentação para manter despesas com jogos de azar.

Outros gastos também ganharam peso no orçamento. O estudo cita R$ 55 bilhões em transporte por aplicativos, R$ 18 bilhões em academias, R$ 85 bilhões em sites internacionais de comércio eletrônico e R$ 36 bilhões em assinaturas de streaming. Para o setor, esse avanço reduz a renda disponível para compras de supermercado e afeta principalmente os canais mais dependentes das classes de menor renda.

Segundo a NielsenIQ, o consumidor brasileiro leva hoje cerca de 8% menos produtos do que levava há um ano. A redução do volume comprado virou um dos principais sinais da perda de fôlego do consumo cotidiano.

Mesmo com esse cenário, o setor atacadista distribuidor fechou 2025 com faturamento de R$ 616,6 bilhões, alta real de 11% em relação ao ano anterior, de acordo com o Ranking ABAD NielsenIQ 2026. O canal indireto também ampliou participação no mercado mercearil brasileiro, passando de 53,7% para 55,9%. Já o mercado de bens de consumo de alto giro movimentou R$ 1,1 trilhão em 2025, com alta de 33,3%.

 

 

 

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