O governo brasileiro abriu uma nova frente de negociação com a União Europeia para tentar evitar a suspensão das exportações de produtos de origem animal ao bloco a partir de 3 de setembro. A reação foi anunciada pelo ministro da Agricultura, André de Paula, depois de a UE excluir o Brasil da lista de países autorizados a vender esse tipo de produto ao mercado europeu.
Segundo o ministro, a prioridade agora é reverter a decisão e entender com precisão o alcance da medida. “Seguiremos conversando e negociando para evitar que se possa chegar a esse ponto em 3 de setembro. O governo tomará todas as medidas necessárias para reverter a decisão”, afirmou. Em outro trecho, reforçou: “Queremos voltar à lista dos países autorizados e seguir fornecendo produtos ao mercado europeu como ao longo dos últimos 40 anos.”
A decisão europeia foi publicada nesta terça-feira (12) após validação dos Estados-Membros. A atualização da lista atinge países que, na avaliação do bloco, não apresentaram garantias suficientes sobre o cumprimento das exigências contra o uso de antimicrobianos, como antibióticos, na pecuária para fins de crescimento ou rendimento.
O Ministério da Agricultura informou que a delegação brasileira na União Europeia terá reunião com autoridades sanitárias da Comissão Europeia para buscar esclarecimentos e formalizar a preocupação do Brasil. André de Paula disse que o governo foi surpreendido tanto pelo momento quanto pela amplitude da medida, que, segundo ele, extrapolou a discussão que vinha sendo conduzida sobre a pecuária bovina e passou a atingir outras proteínas animais, como aves, ovos, mel e carne bovina.
Apesar da decisão, as exportações seguem normalmente até 3 de setembro. De acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, o prazo abre espaço para negociação e eventual reversão antes da entrada em vigor da restrição.
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