O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) lançou nesta segunda-feira, 9, o guia “Boas práticas no atendimento médico às mulheres vítimas de violência”. A publicação tem como objetivo orientar profissionais de saúde sobre como conduzir esse tipo de atendimento de forma mais humanizada, acolhedora e responsável.
Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2011 e 2024 o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 2,1 milhões de notificações de violência contra mulheres.
O guia apresenta orientações para ajudar médicos a identificar diferentes formas de violência doméstica, como física, sexual, psicológica, moral ou patrimonial, além de indicar práticas de atendimento centradas na paciente.
Atendimento humanizado
De acordo com Flavia Bassanezi, vice-corregedora do Cremesp e coordenadora do guia, o atendimento deve ser conduzido com escuta qualificada e respeito ao tempo da vítima.
“O médico precisa usar uma linguagem acolhedora e respeitar o tempo da paciente. Não pode ser uma consulta rápida de pronto-socorro. Ele também tem que entender os limites que ela impuser durante a conversa inicial, além de adotar uma escuta qualificada e acolher a paciente sem julgamentos”, afirma.
A orientação é que o profissional faça perguntas simples e neutras, focadas no cuidado e na segurança da paciente. O objetivo é compreender o que aconteceu, verificar se há dor ou lesões e avaliar se a vítima se sente segura para voltar para casa.
Situações em que a vítima não denuncia
Segundo Flavia, muitas vítimas não desejam denunciar a agressão, principalmente quando existe dependência financeira do agressor.
Nesses casos, a paciente pode temer que a própria instituição de saúde faça a denúncia e, por isso, apresentar outra versão para explicar os ferimentos, como acidentes domésticos. O médico deve observar se as lesões são compatíveis com o relato apresentado.
Quando a vítima está acompanhada
Se a mulher chegar à unidade de saúde acompanhada do possível agressor, a orientação é garantir que o atendimento seja feito de forma privada.
“Nunca confrontar o acompanhante. Podemos usar alguns subterfúgios, como informar que talvez sejam necessários exames complementares em que não é permitida a entrada de acompanhantes, por causa da radiação, por exemplo. Tem que ser de uma forma mais delicada”, explica.
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