Entidades ligadas à produção de cana-de-açúcar e etanol reagiram às declarações do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que defendeu uma revisão da mistura obrigatória de etanol na gasolina comercializada no Brasil. Em nota conjunta, representantes do setor afirmaram que a fala desinforma a população e coloca em dúvida uma política adotada há décadas no país.
Atualmente, a gasolina vendida nos postos brasileiros conta com 32% de etanol anidro na composição. O percentual foi elevado recentemente, após passar por discussão e regulamentação.
Em uma transmissão ao vivo pelo YouTube, Flávio Bolsonaro respondeu a um espectador que reclamava de possíveis prejuízos aos veículos provocados pelo aumento da mistura. “É verdade, é uma coisa que a gente vai ter que discutir. Tem a discussão de estragar os motores. Pagou pela gasolina, tem que levar gasolina”, declarou.
O candidato também questionou por que o aumento da proporção de etanol não teria provocado redução no preço final cobrado dos consumidores nos postos.
Entidades citam testes com carros e motos
A reação do setor foi assinada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), União do Etanol de Milho (Unem), Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) e Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana).
As entidades argumentam que a política de utilização do etanol na gasolina foi construída ao longo de diferentes governos, passando desde a criação do Proálcool até iniciativas mais recentes, como a Lei do Combustível do Futuro e o RenovaBio.
O comunicado também destaca que a legislação que permitiu a ampliação da mistura passou pelo Senado e recebeu voto favorável do próprio Flávio Bolsonaro. “O etanol é um combustível de elevada octanagem, produzido em mais de mil municípios brasileiros. Com ele, o consumidor recebe mais: mais desempenho, mais economia na bomba, mais empregos e soberania energética”, afirmaram as entidades.
Segundo o setor, a mistura de 32% foi submetida a testes realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia com 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, sem identificação de prejuízos ao desempenho dos veículos.
Debate envolve preço, motores e política energética
A elevação do percentual de etanol na gasolina provocou discussões entre produtores, órgãos públicos, consumidores e críticos da medida.
Representantes da cadeia de biocombustíveis defendem benefícios econômicos, ambientais e energéticos, enquanto parte dos motoristas questiona possíveis efeitos sobre veículos mais antigos.
A fala de Flávio Bolsonaro levou o setor a retomar a defesa da atual política e a cobrar que o debate sobre a composição da gasolina seja baseado em critérios técnicos.
unica/unem
