O produtor sabe a hora de analisar o solo, plantar e colher. O que ele não sabe, na avaliação de Camila Lima Rodrigues de Arruda, é a quem perguntar para vender aquilo dentro da lei. “Eles têm muito medo de se comunicar, porque acham que todas as instituições são fiscalizadoras, que vão lá para fechar, para multar”, disse a coordenadora da assistência técnica e gerencial em agroindústria do Senar/MS, em entrevista ao Jornal A Crítica, no estúdio da cobertura do Grupo Feitosa de Comunicação, que edita este jornal, no Festival Internacional da Carne, neste domingo (27).
Segundo ela, o programa atende hoje 460 agroindústrias em 46 municípios do estado e já formalizou 178, que vendiam de forma informal e agora têm registro sanitário. A quarta edição do festival encerrou neste último domingo (27), no Parque de Exposições Laucídio Coelho, com mais de 30 estações de assadores e entrada gratuita. O Senar tem estande e oficinas no evento.
Da educação à assistência mensal
Camila explicou que, até 2014, o Senar era voltado só à formação profissional rural e à promoção social. A partir daquele ano, entrou a assistência técnica e gerencial: visitas mensais de um técnico à propriedade, com metas acompanhadas até o produtor chegar ao objetivo.
A frente de agroindústria nasceu na pandemia. O trabalho, disse, vai do projeto da estrutura ao rótulo. “Nós fazemos toda a identidade visual, orientamos quanto à logomarca, o rótulo, a tabela nutricional. Se ele precisar de um cartão de visita, um site, um portfólio, nós também realizamos.” A equipe ajuda ainda a entrar em chamadas públicas de merenda escolar e a montar os programas de autocontrole exigidos pela inspeção.
“Eu costumo falar com a minha equipe que nós nos tornamos médicos: lemos aquela legislação, que seria a bula, e passamos uma receita.” Segundo ela, a formalização pode ser municipal, estadual, federal ou para exportação. Uma das agroindústrias presentes no festival, de temperos e sal, já exporta para os Estados Unidos.

Tudo passa pelo sindicato rural
Qualquer ação do Senar em um município precisa ser solicitada pelo sindicato rural, que responde pelos produtores da região. Dos 79 municípios do estado, 69 têm sindicato rural na própria base, segundo Camila; os demais são atendidos por um sindicato vizinho.
O mesmo caminho vale para os programas que não têm a ver com produção. Ela citou a alfabetização de adultos, com uma capacitação para quem ainda não sabe ler e fazer contas simples, e a frente de saúde, que este ano leva ginecologistas, urologistas, oftalmologistas e dentistas ao homem e à mulher do campo. “Muitas vezes nunca teve acesso ao médico. Por falta de conhecimento e, muitas vezes, por um certo pudor de buscar orientação. Então nós estamos levando a saúde até onde ele está.”
Há ainda cursos técnicos de dois anos, em florestas, zootecnia, agropecuária e agronegócio, em formato presencial ou parte a distância.

O que o festival resolve
A segunda dificuldade do produtor formalizado, disse Camila, é vender. “Ele tem dificuldade de comunicar a qualidade e o valor desse produto.” Por isso o Senar leva as agroindústrias a feiras como esta: para encontrar restaurantes e compradores. No festival, o estande reúne embutidos, banha de porco, doces em barra e em pasta, molhos e temperos.
Quem tiver interesse em qualquer serviço do Senar, orientou, deve procurar o sindicato rural do município ou o Sistema Famasul, em Campo Grande.

