Os golpes por e-mail estão mais sofisticados, difíceis de identificar e cada vez mais integrados à rotina normal das empresas. O avanço da inteligência artificial permitiu que criminosos produzissem mensagens mais convincentes, eliminassem erros comuns dos antigos e-mails fraudulentos e simulassem com maior precisão comunicações de colegas, fornecedores e executivos.
Levantamentos da empresa de cibersegurança ESET mostram que, apesar do avanço das ferramentas de inteligência artificial, técnicas já conhecidas continuam no centro dos ataques. O phishing permanece como a causa individual mais frequente de incidentes registrados por pequenas e médias empresas, responsável por 26% dos casos analisados no levantamento global da companhia.
A diferença está na forma como esses golpes são aplicados. Em vez de mensagens claramente suspeitas, criminosos passaram a explorar processos legítimos de trabalho, páginas que imitam sistemas corporativos, códigos QR e mecanismos de autenticação usados diariamente pelos funcionários.
QR Code vira porta de entrada
Um dos métodos que mais avançaram em 2026 é o chamado quishing, modalidade de phishing que utiliza códigos QR.
No primeiro semestre, códigos desse tipo apareceram em cerca de 11% dos e-mails de phishing detectados pela ESET, com uma média próxima de 100 mil detecções mensais.
O risco aumenta porque o funcionário normalmente lê o código com o celular. Com isso, a interação pode sair do ambiente protegido pelo computador corporativo e levar a vítima para páginas falsas destinadas ao roubo de senhas, credenciais ou outros dados.
Outra técnica identificada pela empresa é o chamado ConsentFix. Nesse modelo, criminosos exploram processos de autenticação em serviços na nuvem para sequestrar contas sem necessariamente obter diretamente a senha do usuário.
IA ajuda a tornar fraude mais convincente
A inteligência artificial também ampliou a capacidade de produzir conteúdo falso em escala.
Ferramentas de geração de texto facilitam a criação de mensagens personalizadas, enquanto sistemas de áudio e vídeo podem ser empregados para imitar pessoas conhecidas dentro de uma organização.
Esse cenário aumenta os riscos de golpes de engenharia social, especialmente quando o criminoso consegue reproduzir a aparência ou a voz de executivos e utilizar a urgência para convencer funcionários a transferir dinheiro ou fornecer informações.
A ESET aponta que ferramentas baseadas em IA tornam campanhas de phishing e falsificação de identidade mais convincentes e permitem que criminosos com menor conhecimento técnico realizem operações mais sofisticadas.
Quase metade das empresas registrou incidente
O levantamento ESET SMB Cyber Readiness Index 2026, realizado com 4,4 mil responsáveis por decisões de segurança em pequenas e médias empresas de 13 países, mostra a dimensão do problema.
Segundo a pesquisa, 45% das empresas consultadas sofreram ao menos um incidente de segurança nos 12 meses anteriores e 14% enfrentaram mais de um episódio.
Embora ataques com IA estejam entre as principais preocupações dos responsáveis por segurança, os problemas encontrados na prática continuam relacionados principalmente a vulnerabilidades tradicionais.
Além do phishing, aparecem sistemas sem atualização, falhas de monitoramento e credenciais fracas. Ou seja, novas tecnologias potencializam os golpes, mas muitas invasões ainda começam por brechas que já são conhecidas pelas equipes de segurança.
Velocidade de resposta vira fator decisivo
A capacidade de identificar e conter rapidamente uma invasão também ganhou importância.
Segundo o levantamento da ESET, 41% das empresas conseguem concluir investigações de incidentes em menos de duas semanas. Quanto maior o tempo necessário para entender o ataque, maior pode ser a exposição a interrupções, perda de informações e prejuízos financeiros.
Outro desafio está dentro das próprias empresas. Um funcionário pode perceber que recebeu uma mensagem suspeita, mas simplesmente apagá-la sem avisar a equipe responsável pela segurança.
Esse comportamento impede que a organização perceba rapidamente quando uma mesma campanha está atingindo vários funcionários.
Por isso, especialistas recomendam que empresas estabeleçam canais simples para denúncia de mensagens suspeitas, reforcem treinamentos, mantenham sistemas atualizados e adotem etapas adicionais de confirmação para operações sensíveis.
A própria pesquisa mostra que 87% das pequenas e médias empresas consideram a capacitação dos funcionários muito importante ou crítica para a resistência a ataques, enquanto 72% já adotam programas mais estruturados, incluindo simulações de phishing e treinamentos periódicos.
No cenário atual, identificar um golpe apenas pela aparência se tornou mais difícil. A tendência reforça a necessidade de combinar tecnologia de proteção, monitoramento permanente e procedimentos internos que reduzam a possibilidade de uma mensagem falsa se transformar em uma invasão de grandes proporções.
fonte: ESET
