Empresas de MS apresentam gerador que promete fornecer energia para até 15 casas

Um equipamento apresentado como capaz de fornecer eletricidade para até 15 residências, sem depender da rede convencional de distribuição, foi demonstrado pelo Ecossistema Dakila, em parceria com a S&S Tecnologia, no município de Corguinho, em Mato Grosso do Sul. Batizado de Multigerador de Energia Quântica, o projeto promete ampliar a autonomia energética de residências e empresas, mas suas alegações de funcionamento e eficiência ainda precisam ser comprovadas por testes científicos independentes.

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A apresentação ocorreu no domingo (11 de outubro), na Cidade Zigurats, e reuniu, segundo os organizadores, mais de mil participantes de diferentes estados brasileiros e de outros países.

A demonstração foi conduzida por Urandir Fernandes de Oliveira, fundador e presidente do Ecossistema Dakila, com participação de Helton Marques, coordenador do projeto, e do engenheiro eletricista Severiano Castelo.

O equipamento permanece em fase de desenvolvimento, e os responsáveis trabalham com a expectativa de iniciar sua comercialização em 2027. Ainda não foram divulgados preços, especificações completas de potência ou resultados de ensaios independentes que confirmem a capacidade anunciada.

Como os desenvolvedores afirmam que o gerador funciona

Segundo a equipe responsável, o sistema utiliza inicialmente a energia armazenada em capacitores para acionar um motor elétrico. Esse motor movimenta um gerador, que converte energia mecânica em eletricidade.

O diferencial anunciado seria um mecanismo de retroalimentação, no qual parte da eletricidade produzida retorna ao próprio equipamento para sustentar seu funcionamento.

Os criadores apresentam o conceito com o slogan “Energia que gera mais energia” e afirmam que o processo permitiria uma produção contínua, com elevada eficiência.

Em entrevista ao Brasil 61, Helton Marques declarou que a tecnologia combinaria a captação de campos energéticos ambientais com um sistema inteligente de gerenciamento do fluxo elétrico, denominado smart feedback.

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O coordenador sustenta que essa combinação permitiria estabilizar a produção e reduzir significativamente as perdas de energia.

Entretanto, a retroalimentação de um conjunto formado por motor e gerador não é suficiente, por si só, para manter a produção contínua de eletricidade sem uma fonte externa de energia.

Pelos princípios conhecidos da física, a energia não pode ser criada a partir do próprio funcionamento do sistema. Além disso, motores, geradores e circuitos apresentam perdas inevitáveis durante as conversões energéticas.

Para demonstrar a viabilidade da proposta, seria necessário comprovar a existência de uma fonte externa de energia efetivamente captada, sua potência disponível e o balanço energético completo do equipamento.

Projeto apresenta conceito de placas solares virtuais

Outra característica divulgada pela equipe é o uso de um mecanismo chamado de “placas solares virtuais”.

De acordo com Marques, o sistema permitiria que um inversor reconhecesse eletronicamente a presença simulada de painéis fotovoltaicos, dispensando a instalação física das placas.

A proposta também menciona uma fonte denominada “energia solar artificial”, além de frequências programáveis para diferentes aplicações.

Embora a simulação eletrônica de sinais de painéis solares seja tecnicamente possível, ela não constitui, isoladamente, uma fonte de geração elétrica. A eletricidade fornecida ao inversor precisa ter uma origem energética identificável.

Até o momento, as informações apresentadas não demonstram de maneira independente como o sistema obteria energia suficiente para alimentar continuamente as cargas anunciadas.

Protótipo teria capacidade para atender 15 residências

O equipamento de maiores dimensões exibido em Corguinho teria, segundo os desenvolvedores, capacidade para abastecer até 15 casas, dependendo das condições de consumo.

A equipe também planeja versões compactas, com dimensões aproximadas às de um frigobar, destinadas ao uso residencial individual.

Entre as aplicações futuras mencionadas por Urandir Fernandes de Oliveira estão dispositivos portáteis que dispensariam recargas convencionais e sistemas de alimentação elétrica para veículos aéreos.

O empresário citou a possibilidade de ampliar a autonomia de carros voadores, atualmente estimada por ele em aproximadamente 40 minutos a uma hora, mediante adaptações da tecnologia.

Essas aplicações permanecem no campo das projeções dos desenvolvedores e não foram acompanhadas, nas informações divulgadas, de demonstrações técnicas independentes.

Comercialização é prevista para 2027

Segundo Helton Marques, o projeto avançou da fase conceitual para a preparação de testes de campo, documentação jurídica e planejamento de produção.

O coordenador informou que foram formalizados, em Brasília, um memorial descritivo legal e um documento de co-invenção.

A equipe pretende iniciar a comercialização em 2027, embora ainda não exista uma tabela pública de preços ou cronograma definitivo de fabricação.

Marques afirma que o objetivo é oferecer equipamentos para residências, comunidades isoladas, escolas, hospitais, indústrias e outras instalações que necessitam de fornecimento contínuo de eletricidade.

O projeto é apresentado como resultado da colaboração entre Francisco Severino dos Santos, identificado como inventor e engenheiro eletricista, Helton Marques e Urandir Fernandes de Oliveira.

Os responsáveis também mencionam pesquisas inspiradas em estudos de Nikola Tesla, além de possíveis aplicações envolvendo campos energéticos e frequências.

Validação científica será decisiva

Apesar das expectativas apresentadas pelos desenvolvedores, o funcionamento anunciado exige comprovação técnica rigorosa, especialmente quanto à origem da energia utilizada e à capacidade de manter a operação contínua.

Para avaliar o equipamento, seriam necessários testes com medição independente da energia de entrada e de saída, identificação de eventuais fontes externas, acompanhamento da potência fornecida e verificação do desempenho durante períodos prolongados.

Também seria necessário demonstrar a capacidade real de abastecimento das residências, considerando o consumo simultâneo e as variações de demanda.

A documentação de uma invenção e a realização de demonstrações públicas não substituem a validação científica de suas características.

Os responsáveis afirmam buscar reconhecimento internacional para a tecnologia e mencionam até a possibilidade futura de uma contribuição brasileira digna de um Prêmio Nobel.

Por enquanto, o Multigerador de Energia Quântica permanece como um projeto em desenvolvimento, com promessas de aplicação comercial e resultados que ainda precisam ser verificados de forma independente antes que sua eficiência e autonomia possam ser consideradas comprovadas.

 

 

Ass.Com/Ecossistema Dakila

 

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