O Brasil entrou para a história dos Jogos Olímpicos de Inverno neste sábado ao conquistar, pela primeira vez, uma medalha na competição. E não foi qualquer pódio. Lucas Braathen garantiu o ouro no slalom gigante em Milão-Cortina, colocando o País e a América Latina no topo do esporte de inverno mundial.
Com o tempo total de 2min25s00 na soma das duas descidas, o brasileiro confirmou o favoritismo construído ainda na primeira bateria e assegurou um feito inédito. Até então, o Brasil jamais havia subido ao pódio em uma edição de Jogos Olímpicos de Inverno.
A conquista representa uma virada simbólica para o esporte nacional, tradicionalmente distante das modalidades disputadas na neve.
Lucas Braathen deu sinais claros de que brigaria pelo ouro logo na primeira apresentação. Em uma descida agressiva e precisa, marcou 1min13s92, o melhor tempo da bateria.
A vantagem foi expressiva. O suíço Marco Odermatt, um dos principais nomes da modalidade, registrou 1min14s87, quase um segundo atrás do brasileiro. No slalom gigante, onde cada centésimo faz diferença, essa margem se mostrou determinante.
O formato da prova considera a soma dos tempos das duas descidas. Assim, o desempenho inicial colocou Braathen em posição estratégica para administrar a liderança na etapa final.
Na segunda descida, o brasileiro não precisou arriscar além do necessário. Com maturidade, fez o suficiente para manter a vantagem acumulada e confirmar o título olímpico.
Ao cruzar a linha de chegada, a marca total de 2min25s00 garantiu o lugar mais alto do pódio. Marco Odermatt ficou com a medalha de prata, enquanto outro suíço, Loic Meillard, completou o pódio com o bronze.
O resultado encerra uma longa espera do esporte brasileiro em Jogos de Inverno.
Até então, o melhor desempenho do Brasil na história da competição havia sido o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross, em Turim-2006. Duas décadas depois, o cenário mudou completamente.
A medalha de Lucas Braathen não apenas supera a melhor campanha anterior, como inaugura um novo capítulo para o País em modalidades de inverno. Pela primeira vez, a bandeira brasileira foi hasteada no topo do pódio olímpico em um cenário de neve.
O feito também coloca a América Latina na lista de países medalhistas em Jogos de Inverno, ampliando o alcance geográfico de uma competição tradicionalmente dominada por nações europeias e norte-americanas.
Após a conquista, Lucas destacou o significado do momento. “O Brasil está em todos os cantos do mundo. Agora, nas montanhas também. Estamos trazendo muito amor e muita alegria. A presença da torcida é uma coisa que a gente gosta de sentir, e eu tenho essa energia no dia mais importante da minha vida”, afirmou.
A declaração resume o peso simbólico da vitória. Em um ambiente historicamente distante da realidade esportiva brasileira, o hino nacional ecoou nas montanhas de Milão-Cortina pela primeira vez.
O ouro de Lucas Braathen redefine o lugar do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno. De participante discreto, o País passa a integrar oficialmente o grupo de nações medalhistas. E estreia já no topo do pódio.
cob