MS bate recorde de R$ 5,65 bilhões em produção florestal, e quase 80% do salto veio do preço da tora

Mato Grosso do Sul produziu R$ 5,65 bilhões em floresta em 2025, o maior valor já registrado no Estado, segundo a Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) que o IBGE divulgou nesta quinta-feira (24). O crescimento sobre 2024 foi de 62,2%, contra 6,7% do Brasil.

A madeira em tora, que responde por quase todo o resultado, rendeu R$ 5,24 bilhões, alta de 86,4%. Mas o volume cortado subiu bem menos, 17,6%, de 26,04 milhões para 30,61 milhões de metros cúbicos.

O que mudou foi o preço, não a motosserra

Dividindo valor por volume, o metro cúbico de tora que o produtor sul-mato-grossense vendeu a R$ 108,02 em 2024 passou a R$ 171,28 em 2025, uma alta de 58,6%.

Aplicada essa conta ao aumento de R$ 2,43 bilhões no valor da tora, o volume a mais explica cerca de R$ 494 milhões. Os outros R$ 1,94 bilhão, quase 80% do total, vieram do preço. O cálculo é de A Crítica sobre as tabelas do IBGE e não consta da divulgação.

Preço de tora sobe e desce conforme a demanda das fábricas de celulose e o câmbio, e não garante que o mesmo valor se repita em 2026 sem que nada mude no campo.

MS é o terceiro do país em valor, não o quinto

Em valor da produção da silvicultura, Mato Grosso do Sul somou R$ 5,62 bilhões e ficou em terceiro lugar no Brasil, atrás de Minas Gerais (R$ 9,24 bilhões) e do Paraná (R$ 6,88 bilhões). São Paulo veio logo depois, com R$ 5,29 bilhões.

Em madeira em tora, o Estado é o segundo do país tanto em valor quanto em volume. O primeiro é o Paraná, com R$ 5,64 bilhões e 39,7 milhões de metros cúbicos. Minas Gerais, que lidera o total da silvicultura por causa do carvão, aparece só em sexto na tora.

O Estado ficou com quase toda a floresta nova do Brasil

A área plantada de Mato Grosso do Sul chegou a 1.902.957 hectares, contra 1.459.944 em 2024, um avanço de 30,3%. No mesmo período o Brasil passou de 9.908.594 para 10.381.607 hectares, alta de 4,8%.

Ou seja: dos 473 mil hectares que o país ganhou em floresta plantada em 2025, 443 mil estão em Mato Grosso do Sul. São 93,7% de toda a expansão nacional em um Estado só.

O Estado tem hoje 18,33% da área plantada do Brasil e responde por 13,7% do valor, o que indica floresta jovem, plantada e ainda não cortada. Em área, MS é o segundo do país, atrás de Minas Gerais, que tem 2.215.714 hectares.

Quase tudo é eucalipto: 1.897.264 hectares, ou 99,7% do total. O pinus ocupa 5.693 hectares.

Os sete maiores do Brasil em área são todos daqui

O ranking nacional de área plantada por município começa com sete cidades sul-mato-grossenses seguidas. Ribas do Rio Pardo tem 537.011 hectares, Três Lagoas 348.117, Água Clara 186.680, Brasilândia 158.631, Santa Rita do Pardo 119.289, Selvíria 108.654 e Inocência 107.169. Só na oitava posição aparece outro Estado, com Buritizeiro, em Minas Gerais, e 100.003 hectares.

As sete somam 1.565.551 hectares, o equivalente a 82,3% de toda a floresta plantada do Estado. Ribas do Rio Pardo cresceu 40,7% em área no ano e Santa Rita do Pardo, 82,1%.

Três Lagoas lidera em valor, e Selvíria salta 2.633%

Em valor da produção, Três Lagoas é o primeiro município do Brasil, com R$ 1,83 bilhão, contra R$ 579,2 milhões em 2024. Ribas do Rio Pardo é o segundo, com R$ 1,00 bilhão.

Mato Grosso do Sul tem sete municípios entre os 20 maiores do país: além dos dois primeiros, Brasilândia em quarto (R$ 591,1 milhões), Água Clara em oitavo (R$ 395,6 milhões), Selvíria em nono (R$ 384,4 milhões), Inocência em décimo (R$ 363,0 milhões) e Santa Rita do Pardo em 19º (R$ 271,3 milhões).

Selvíria teve a maior variação do Estado. O município saiu de R$ 14,1 milhões em 2024 para R$ 384,4 milhões, um crescimento de 2.633%, compatível com a entrada em corte de áreas plantadas anos antes. Os sete municípios juntos respondem por 86% do valor da silvicultura estadual.

Carvão e lenha andam para trás

Nem todo o setor cresceu. A produção de carvão vegetal caiu de 356.287 para 237.398 toneladas, queda de 33,4%, e o valor recuou 26,6%, para R$ 250,6 milhões. Mesmo assim o Estado segue como terceiro produtor nacional, atrás de Minas Gerais, que sozinha faz 5,33 milhões de toneladas, e do Maranhão.

Entre os municípios, Ribas do Rio Pardo e Santa Rita do Pardo empataram em volume, com 44.645 toneladas cada. Em valor, Ribas ficou à frente, com R$ 52,2 milhões, contra R$ 42,9 milhões de Santa Rita.

A lenha caiu quase pela metade: de 2,48 milhões para 1,17 milhão de metros cúbicos, queda de 52,8%.

O que caiu e quase ninguém viu

Enquanto a floresta plantada bateu recorde, a extração vegetal, que é a coleta em mata nativa, encolheu. O valor da produção passou de R$ 75,3 milhões em 2024 para R$ 26,6 milhões em 2025, uma queda de 64,6%.

Dentro desse total em queda, um segmento pequeno cresceu. Os produtos alimentícios extrativos subiram de 11 para 50 toneladas e de R$ 98 mil para R$ 309 mil. O destaque é o baru, também chamado cumaru, com 29 toneladas, das quais 25 saíram de Nioaque, ou 86% da produção estadual do produto. Anastácio colheu as outras 4 toneladas.

Em valor, todo o extrativismo alimentício de Mato Grosso do Sul equivale a 0,005% do que a silvicultura produziu no mesmo ano.

O avanço da área plantada corre em paralelo a questionamentos que o próprio arquivo deste jornal registra. Em julho, o MPMS abriu inquérito civil para apurar o impacto do avanço do eucalipto sobre nascentes em Mato Grosso do Sul. A celulose, destino principal da tora, já responde por 29,32% das exportações do Estado, e a ocupação das terras do leste por floresta plantada foi contada nesta reportagem de julho.

A PEVS mede produção e área. Não mede emprego, arrecadação, uso de água nem efeito sobre a pecuária que ocupava essas terras.

ibge

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