O juiz da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, Eduardo Lacerda Trevisan, nomeou um gestor provisório para comandar a Santa Casa de Campo Grande.
A decisão ocorre um dia após o vice-presidente, Heitor Rodrigues Freire, assumir o comando no lugar de Alir Terra, presa na Operação Antidotum.
Com a decisão, quem passa a comandar o hospital é o médico Luiz Alberto Kanamura, que havia assumido a função de superintendente técnico hospitalar ontem. Ele ficará no comando por 180 dias, prorrogáveis por igual período.

Kanamura é médico do hospital há vários anos, já foi diretor de mais de uma área.
Trevisan justifica que a Santa Casa enfrenta uma crise administrativa e financeira, que coloca em risco a continuidade dos serviços . Com a decisão, Kanamura deverá apresentar relatórios mensais ao judiciário sobre a situação operacional do hospital, com medidas para reorganização geral.
O caso
O Gecoc cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 trinta e seis mandados de busca e apreensão nos Municípios de Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO), durante a Operação Antidotum.
Os policiais investigam a existência de fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, em que ocorreram pagamentos de valores elevados sem a devida contraprestação de serviços.
Segundo a investigação, o contrato previa pagamento de um milhão e oitocentos mil reais por ano e tinha vigência de três anos, totalizando cinco milhões e quatrocentos mil reais. Porém, segundo a investigação, somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou um milhão e quatrocentos mil reais.
“No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado”, diz o Gecoc.
As investigações apontam que os contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.
A operação contou com apoio operacional do Batalhão de Choque e com a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS.
“Antidotum”, termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como antídoto, e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo.
