A confiança nos professores coloca a categoria no primeiro lugar entre as profissões mais respeitadas pelos brasileiros, seguida por cientistas e médicos. No extremo oposto aparecem políticos, influenciadores digitais e ministros de governo, que registram os maiores níveis de desconfiança. Os resultados fazem parte de uma pesquisa da Ipsos, divulgada nesta terça-feira (20), que também avaliou a percepção da população sobre ferramentas de inteligência artificial.

O levantamento Monitor Global de Confiança nas Profissões ouviu mais de 23 mil pessoas em 31 países, sendo mil entrevistados no Brasil. No cenário internacional, cientistas, professores e médicos também ocupam as primeiras posições, embora em ordem diferente da registrada entre os brasileiros. A rejeição a políticos e influenciadores se repete na média mundial.
Segundo Márcia Cavallari, diretora de pesquisa da Ipsos, a credibilidade de uma profissão está relacionada à experiência das pessoas com esses trabalhadores. Professores e médicos fazem parte da rotina de muitas famílias, enquanto os cientistas passaram a ter maior visibilidade durante a pandemia, especialmente nas discussões sobre o vírus e as vacinas. Em 2021, professores e cientistas chegaram a dividir a liderança do levantamento, ambos com 68% de confiança.
Mulheres confiam mais em professores e cientistas
Os resultados mostram diferenças entre homens e mulheres. Entre as entrevistadas, 60% afirmam confiar nos professores, percentual que cai para 51% entre os homens. A tendência se repete na avaliação dos cientistas, que recebem a confiança de 56% das mulheres e 49% dos homens.
Já a desconfiança em relação às categorias menos bem avaliadas é maior entre o público masculino. Os políticos são considerados pouco confiáveis por 69% dos homens e 62% das mulheres. Para ministros de governo, os índices são de 61% e 53%, respectivamente, enquanto os influenciadores digitais despertam desconfiança em 60% dos homens e 54% das mulheres.
A idade também influencia os resultados. Professores alcançam 60% de confiança tanto entre integrantes da geração Z quanto entre os baby boomers. Os cientistas têm melhor avaliação entre os millennials, com 54%, seguidos pela geração Z, com 53%. Já os médicos registram 60% de confiança entre os baby boomers, diante de 54% entre millennials e integrantes da geração Z.
Entre os entrevistados mais velhos, 71% desconfiam dos políticos e 63% dos ministros de governo. No grupo dos millennials, os influenciadores digitais aparecem como uma das categorias mais questionadas, com 59% de desconfiança.
Inteligência artificial também enfrenta resistência
Pela primeira vez, a pesquisa incluiu perguntas sobre a confiança em chatbots de inteligência artificial. No Brasil, apenas 25% dos entrevistados disseram confiar nessas ferramentas, enquanto 40% manifestaram desconfiança.
Na média dos 31 países analisados, os índices foram semelhantes, com 23% de confiança e 40% de desconfiança. Para Márcia Cavallari, a resistência pode estar associada ao fato de a inteligência artificial ainda ser uma tecnologia relativamente nova para parte da população.
O psicólogo e especialista em liderança Joca Correia avalia que profissões ligadas à educação, à saúde e à ciência despertam maior credibilidade por estarem associadas ao cuidado e às experiências pessoais. Em contrapartida, a percepção de interesses políticos ou comerciais pode influenciar negativamente a avaliação de outras atividades, segundo o especialista.
No mercado de trabalho, essa percepção também pode interferir na escolha profissional e na capacidade das empresas de atrair trabalhadores. Entretanto, Andrea Krug, especialista em gestão e liderança, observa que uma carreira respeitada nem sempre oferece condições consideradas atrativas.
Ela cita o magistério como exemplo, já que o reconhecimento social dos professores não elimina dificuldades relacionadas à remuneração, às condições de trabalho e às oportunidades de crescimento profissional.
IPSOS
