Uma nova caneta de semaglutida, a mesma substância do Ozempic, começou a ser vendida nas farmácias do País nesta sexta-feira (6). O Semaclique, feito no Brasil pela Brace Pharma, do Grupo EMS, custa R$ 464,81 a unidade, ou R$ 333 cada na compra de três. Em Mato Grosso do Sul, a chegada de mais uma opção legal acontece num cenário particular: o Estado é uma das portas de entrada de canetas sem registro trazidas do Paraguai, e as apreensões nas rodovias se repetem ao longo do ano.
O Semaclique foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em agosto e tem indicação apenas para adultos com diabetes tipo 2, e não para obesidade. A aplicação é semanal, na pele, e a venda exige receita em duas vias, uma delas retida pela farmácia. A caneta precisa ficar na geladeira, entre 2°C e 8°C, mesmo depois de aberta.
Patente acabou e o mercado se abriu
A nova caneta faz parte de uma onda de lançamentos. A patente da semaglutida terminou no Brasil em março, o que permitiu que outros laboratórios produzissem versões do medicamento. Em junho, a EMS lançou a Ozivy, primeira semaglutida feita no país, com preço inicial de R$ 452. Só em 2026, a Anvisa concedeu 20 registros a medicamentos dessa classe, incluindo cinco canetas aprovadas em 29 de outubro.
Ter registro, porém, não significa estar na prateleira. Cada fabricante ainda precisa definir preço e distribuir o produto. E mais marcas não garantem, por si só, que o tratamento fique mais barato, porque o custo depende da dose receitada e de quanto remédio o paciente usa por mês.
Em MS, o atalho do outro lado da fronteira
Em Mato Grosso do Sul, o preço alto e a fronteira com o Paraguai criaram um mercado paralelo. Em março, uma pesquisa do A Crítica em redes sociais encontrou ofertas de tirzepatida, o princípio do Mounjaro, de R$ 150 por dose a R$ 800 por ampola, sem receita e sem garantia de origem. Na mesma época, uma operação da Secretaria de Estado de Saúde apreendeu, em 20 dias, 6.085 canetas e ampolas emagrecedoras sem autorização para venda no Brasil.
As apreensões continuaram ao longo do ano. Em 26 de outubro, a Polícia Militar Rodoviária encontrou 26 caixas de canetas do Paraguai num carro na MS-162, em Maracaju. Uma semana antes, em Ponta Porã, foram 223 unidades de tirzepatida e um remédio ainda em testes, a retatrutida, escondidos num compartimento secreto. Em agosto, a PRF parou em Goiás um motorista com quase 1,2 mil ampolas, que disse ter saído de Maracaju.
O selo paraguaio não vale aqui
Muita gente compra do outro lado da linha acreditando que o produto é seguro por ter registro no Paraguai. A própria autoridade sanitária paraguaia, a Dinavisa, já avisou que essa garantia termina na fronteira: no Brasil, só vale o registro da Anvisa. E há falsificações até lá: em fevereiro, a Dinavisa alertou para um lote falso de tirzepatida que imitava um produto paraguaio.
O risco não é pequeno. Canetas sem registro podem ter dose errada, substância diferente da prometida ou ter sido mal conservadas, já que esses remédios precisam de refrigeração. Mesmo os medicamentos legais podem causar náusea, vômito, diarreia e, mais raramente, pancreatite, por isso o uso deve ser acompanhado por um médico.
Para quem tem diabetes tipo 2 e receita médica, a nova caneta é mais uma opção legal nas farmácias de MS. Para quem busca emagrecer, a orientação dos órgãos de saúde continua a mesma: procurar um médico, usar só produtos aprovados pela Anvisa e desconfiar de ofertas sem receita nas redes sociais ou trazidas da fronteira.
A nova caneta
Fontes: Anvisa, fabricante (preços anunciados em 6/11/2026), Secretaria de Estado de Saúde de MS, Dinavisa (Paraguai), PM Rodoviária, PRF. Preços podem variar entre farmácias. Este conteúdo não substitui orientação médica.
