Quebra do Ueno Bank congela economias e gera pânico em Assunção

A crise do Ueno Bank, banco paraguaio que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai, atingiu em cheio a comunidade brasileira que vive em Assunção. Estudantes, profissionais liberais e pequenos empreendedores relatam contas congeladas, saques bloqueados e dificuldade para pagar despesas básicas na capital.

O colapso do banco também provocou um terremoto político. O presidente Santiago Peña anunciou a renúncia em meio a protestos nas ruas de Assunção, mas o Congresso suspendeu nesta quinta-feira (5) a sessão que analisaria o pedido, por falta de quórum, e a situação segue indefinida.

Contas digitais eram a porta de entrada

Segundo os relatos, a comunidade brasileira na capital é formada principalmente por universitários de graduação e pós-graduação, profissionais liberais e pequenos prestadores de serviços. Para esse público, o Ueno Bank era o principal banco por causa da abertura de contas digitais sem muita burocracia e da rapidez para receber transferências de familiares no Brasil.

Com o congelamento das contas, brasileiros dizem não conseguir sacar dinheiro nem pagar pelo aplicativo aluguel, condomínio, luz e alimentação. Comerciantes e prestadores de serviços também relatam o travamento do fluxo de caixa e o bloqueio de cartões corporativos emitidos pelo banco, o que dificulta o pagamento de fornecedores locais.

A situação se agravou depois que veio à tona que, dias antes da crise, o banco fez campanhas com promessa de até 50% de cashback no varejo de Assunção. Moradores brasileiros afirmam que a estratégia foi uma forma de atrair dinheiro da população pouco antes da intervenção. A informação sobre a campanha ainda não foi confirmada por A Crítica.

Sem proteção do FGC brasileiro

Como o banco está sob jurisdição paraguaia, os depósitos dos brasileiros que vivem no país não têm a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) do Brasil. O ressarcimento depende do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) do Paraguai.

O limite de cobertura do fundo paraguaio é de 228,3 milhões de guaranis (cerca de R$ 210 mil) por CPF ou CNPJ. Quem tinha valores acima desse teto terá de entrar na fila de credores da liquidação do banco para tentar recuperar o excedente. O Banco Central do Paraguai promete um cronograma gradual de pagamentos, mas o clima entre os brasileiros na capital é de apreensão.

Crise já vinha crescendo

A quebra do Ueno Bank vem sendo acompanhada por analistas brasileiros desde a suspensão dos saques. O caso  atinge mais de 3 milhões de clientes e ameaça a governabilidade, o que levou deputados a pedir o impeachment do presidente.

 

 

 

 

 

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