Câmara de Inocência abre Comissão Processante contra prefeito após contador desviar R$ 5,3 mi

O prefeito Antônio Ângelo Garcia dos Santos, o Toninho da Cofapi (PP), indicou oito testemunhas para serem ouvidas pela Comissão Processante que investiga o rombo de R$ 5,3 milhões dos cofres da Prefeitura de Inocência. Os recursos foram desviados pelo contador Michell Bruno Medeiros de Almeida, 35 anos, durante anos como assessor no município.

A Câmara Municipal de Inocência abriu a Comissão Processante, no fim do último mês de setembro, para investigar possível responsabilidade de Toninho da Cofapi no prejuízo aos cofres do município. De acordo com o relator, vereador Drauton Batista de Souza (PSD), atualmente os trabalhos estão concentrados na análise dos documentos enviados pela prefeitura.

Drauton informou que o prefeito apresentou oito testemunhas, que serão ouvidas após a análise da documentação. Os nomes não foram divulgados. A reportagem entrou em contato com o presidente da comissão, vereador Gerson Mariano, o Gerson Gordo (PSDB), mas não houve resposta. A outra integrante é a vereadora Thalita Leandra (PP).

A denúncia que culminou na investigação questiona se o prefeito Toninho da Cofapi teria sido omisso ou negligente na fiscalização das finanças municipais diante da atuação do ex-tesoureiro Michell Bruno Medeiros de Almeida, acusado de desviar mais de R$ 5,3 milhões do município.

Michell foi exonerado oficialmente da tesouraria da Prefeitura de Inocência em 10 de agosto de 2023. Mesmo após deixar a função, ele teria continuado com acesso às finanças municipais até 13 de outubro de 2025, inclusive participando de balanceamentos financeiros quando eram identificadas divergências nos fechamentos.

Conforme denúncia do Ministério Público Estadual, Michell Bruno começou a praticar os desvios falsificando boletos e desviando tributos, como ISS, ITBI e IRRF, quando ocupava o cargo de tesoureiro da prefeitura em 2 de junho de 2022.

A prática prosseguiu quando ocupou outras funções de confiança, como secretário municipal de Administração, contador e chefe do Inoprev (Fundo de Previdência de Inocência).

As transferências começaram com valores irrisórios, mas não tão baixos. Entre os dias 22 e 29 de setembro de 2022, por exemplo, o contador realizou 11 transferências bancárias para a conta no Mercado e um Pix, com valores oscilaram entre R$ 1 mil, R$ 1,5 mil, R$ 2 mil e R$ 4 mil. O total do mês ficou em R$ 26 mil.

Os desvios eram sistemáticos e ocorriam todos os meses. Como ninguém desconfiava na prefeitura, ele passou a ampliar o valor desviado. Entre os dias 12 e 31 de maio de 2023, por exemplo, foram oito transferências de R$ 12 mil, uma de R$ 8 mil e outra de R$ 1,2 mil. No total, foram desviados R$ 105,2 mil.

A manobra criminosa foi perpetuada ao longo dos anos. Em outubro de 2025, entre os dias 2 e 13, ele desviou mais de meio milhão de reais. Michell foi preso em 20 de outubro de 2025, durante uma tentativa de fuga pelo interior de São Paulo.

 

 

 

ojcr

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